12 de ago. de 2014

Cidade Sombria...

23/08/2042, 23:30

  A cidade estava silenciosa e escura, uma mulher de aparência normal caminhava em meio às sombras da noite. Após alguns instantes, ela ouve o som de passos ritmados e arrastados, vindo de traz dela. Assustada decide andar mais rápido, o som dos passos também aumenta. Ao se aproximar de um beco uma mão agarra seu ombro e a joga para dentro dele, ela cai no chão e observa seu agressor. Um homem de aproximadamente 1,80 de altura, um pouco acima do peso, rosto carrancudo e sujo, em sua mão direita tinha uma faca, não muito grande, mas o suficiente para matar uma pessoa. Ela tem tamanho pânico que não consegue gritar, começa a chorar e tremer, o homem aproxima-se lentamente segurando a faca com mais firmeza e esboçando um sorriso sádico. Vultos negros a sua volta o distraem por segundos, mas logo retoma sua ação. Quando de repente uma criatura sombria materializa-se atrás do homem, antes ele pudesse fazer qualquer ação, a coisa faz um movimento rápido e desaparece. Em instantes forma-se um corte reto em diagonal de cima para baixo, do ombro esquerdo ao quadril direito passando pelo braço, logo acima do punho, cortando-o por inteiro, um leve jato de sangue suja a mulher, que por tamanho pânico desmaia...

24/08/2042, 05:10

  Policiais e uma equipe médica estão no local. Cercam tudo com faixas, cobrem os pedaços do corpo do homem com um pano e socorrem a mulher. Após acordá-la e medicá-la perguntam o que houve, mas ela ainda estava muito assustada ao lembrar-se da noite anterior, e só consegue dizer que viu uma coisa negra e o homem caindo em pedaços. Para preservar a vitima decidem encaminhá-la ao hospital. Ao investigar a cena não conseguem encontrar nenhum vestígio do que fez aquilo, aparentemente nada nem ninguém além do homem e da mulher esteve nesse beco nos últimos dias. Um detetive chamado James Dolfs, muito intrigado com a situação, decide investigar por conta própria e retorna a delegacia para procurar casos parecidos, se espanta ao encontrar vários casos em aberto com características muito parecidas com os relatos da vitima, e o que foi encontrado no local. Corpos com cortes únicos e precisos, desmembramentos instantâneos. Os mortos sendo em grande maioria assassinos, estupradores, ladrões. As testemunhas relatam sempre terem visto vultos negros, criaturas escuras, coisas sombrias, e nunca nenhum vestígio de que alguém esteve lá, como se fosse um fantasma. Nenhuma fibra de tecido, nenhum fio de cabelo, apenas cortes, sangue e morte. Nesses casos, o culpado misterioso foi apelidado apenas como “Slicer”...

26/08/2042, 23:40

  Um carro preto para em frente a uma loja de jóias, dele saem quatro homens encapuzados. Logo arrombam a porta da joalheria e começam a saquear tudo lá dentro. Uma sombra passa muito rápido pela porta, tão rápido que eles não chegam a perceber, a morte os aguardava, e assim foi feito. Um a um, após vultos repentinos, caiam no chão com cortes únicos e precisos. Sobra apenas um ladrão vivo dentro da loja, ele saca uma arma, mas já é tarde demais. A criatura negra para em sua frente, como se o desafiasse. Antes que ele pudesse apontar direito sua arma, a coisa desfere um golpe que corta seu tronco, logo abaixo do peito, da direita para a esquerda. Por reflexo, ele dispara sua arma, mas a criatura já não estava lá. Estava indo atrás da ultima presa, o motorista, que escuta o único tiro e fica confuso, pois não viu nada entrar na loja tirando seus comparsas. As lâmpadas dos poucos postes próximos misteriosamente estouram, acabando com a única fonte de luz do local. O monstro aparece em pé a uns 3 metros da frente do carro. O bandido se assusta e acelera, a criatura faz um movimento rápido e some, segundos depois a roda dianteira esquerda se divide em duas, fazendo ele perder o controle e bater em um poste. Após sair do carro segurando sua arma, a sombra passa por ele e desaparece pela ultima vez nessa noite. Deixando para trás o homem que apresenta um corte reto no pescoço, fazendo-o com que caia morto e sua cabeça role para o lado...

27/08/2042, 06:00

  Mais uma vez a policia chega para recolher os corpos deixados pelo “Slicer” sem conseguir nenhuma prova do culpado. Mas o detetive Dolfs estava decidido a descobrir o que estava fazendo aquilo. Já recolhendo as ultimas coisas e se retirando, os oficiais deixam James sozinho. Ele resolve averiguar se não haviam deixado nada passar, quando encontra um pequeno buraco de bala num canto, quase escondido. James consegue retirar o projétil da parede, e percebe que há uma pequena mancha vermelha nele. O detetive embala aquilo como prova, e se dirige a delegacia para verificar o DNA no banco de dados, logo constata que não foi encontrado nenhum individuo compatível. Dolfs então tenta cruzar com dados de hospitais, clinicas e vários outros lugares, mas nada, como se aquele sangue não pertencesse a ninguém. James tenta juntar as poucas pistas que dispõe para resolver o mistério, e lembra-se de um fato, as lâmpadas dos postes dessa ultima cena de assassinato, pareciam ter sido cortadas, assim como os corpos e a roda do carro, e se recordou que em todas as outras cenas de crime, a hora da morte das vitimas eram nos períodos e lugares mais escuros da cidade. Então ele pensa em uma coisa, tão assustadora que hesita em concluir o pensamento...

30/08/2042, 23:50

  Zona industrial, a parte mais obscura e esquecida da cidade. Um caminhão, não muito grande, entra de ré em um beco estreito. Dele saem dois homens, seus rostos eram de preocupação e medo, um deles aproxima-se de uma porta de garagem e bate de uma maneira peculiar, o outro abre a porta traseira do caminhão e aguarda a resposta da porta. A garagem se abre e dela saem mais cinco homens, esboçando a mesma expressão de medo e preocupação. Um corvo pousa em cima do veiculo, mas aparentemente ninguém se importa com isso. A ave grasna e desaparece antes que os homens pudessem olhar para ela, como se fosse um presságio, e era. Logo as luzes que iluminavam o local vão se apagando, uma a uma. Os indivíduos apressam-se para levar a carga, eram pacotes de cocaína, o caminhão estava cheio. Levariam pelo menos meia hora para terminar o serviço. Por isso, mesmo no escuro eles continuaram o trabalho. A criatura negra os observava do alto do prédio, como se estivesse escolhendo quem iria matar primeiro. Logo ela faz um movimento rápido e some, segundos depois um dos traficantes também some. Quando os outros dão por sua falta, o corpo dele cai do alto da construção em dois pedaços. Assustados todos sacam armas e olham em volta, sem muita eficácia. Em segundos, a sombra passa por entre eles desferindo seus golpes, mais seis mortos. Novamente faltava o motorista, sempre ele, a ultima vitima. O monstro dessa vez caminhou lentamente em direção a ele, como se estivesse querendo variar um pouco seus métodos de caça. Olhando pelo retrovisor, o homem vê aquilo se aproximando, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, a criatura o puxa pela janela do veiculo e o joga na parede com força. O monstro o encara por alguns segundos antes de dar-lhe seu ataque, esperando alguma reação, algum desafio, mas nada alem do típico corte, que acaba fazendo um risco na parede. Depois disso, a criatura simplesmente some no ar...

31/08/2042, 05:20

  Dessa vez o detetive Dolfs é o primeiro a chegar ao local. Logo identifica todo o padrão do “Slicer”, cortes, sangue, lâmpadas quebradas e nenhuma pista. Um corvo grasna do alto do prédio, mas James não dá muita importância e procura por algo novo, algum detalhe que pudesse usar para desvendar tudo isso. Ele sente um calafrio ao ouvir a ave grasnar mais uma vez. Quando olha onde ela estava não a encontra, como se nunca estivesse ali. A manhã estava fria, deixando o lugar ainda mais macabro. Ele sentia como se algo o observasse, mas não conseguia perceber se realmente existia alguém ali por perto. Até que chegam os outros policiais, e James resolve sair dali. Não estava se sentindo muito bem, uma angustia estranha tomava conta dele. Ao se aproximar de seu carro, vê o corvo pousado acima dele, o encarando, como estivesse querendo lhe dizer alguma coisa. Um policial chama Dolfs para mostrar uma coisa, e nesse intervalo de segundos o animal desaparece novamente. O detetive estranha, pois nunca consegue escutar o bater de asas da ave, como se fosse um fantasma. Aquilo o deixa ainda mais perturbado. Então ele decide fazer o que tinha pensado há alguns dias atrás. Pensa que se ninguém fizer nada, aquilo continuará e a policia perderá o controle. James reúne amigos policiais e planeja. Em dois dias aquilo tudo acabará...

02/09/2042, 23:00

  Um homem caminha solitário pela noite. Até que cruza com outro homem que aparenta ter seus 30 anos que o rende. Lhe aponta uma arma e o conduz a um beco escuro, aproximam-se do final dele, não haviam saídas. Quando a criatura negra aparece para seu usual serviço. Mas de repente lâmpadas, refletores e canhões de luz, estrategicamente instalados se acendem, o que faz o monstro perder a ação. Policiais que estavam escondidos, apontam suas armas. Ele parece desnorteado e fraco, a luz o afeta significativamente. E pela primeira vez ele é visto com clareza. Um homem, de aparentemente 1,80 de altura, um pouco atlético, vestindo um manto preto e sombrio, e segurando uma foice feita de um metal negro, ela não chegava a ser fosca, mas não refletia muita luz. O homem de 30 anos era Dolfs, e esse era seu plano. Ele temia a criatura, mas agora vendo que é humano, não o teme tanto. Os policiais ordenaram que o homem soltasse a arma, e se rendesse, ele não esboçou nenhum sinal de que obedeceria. Seu rosto era coberto por um capuz, não tinha como ver sua expressão facial. Estava cercado, a única saída estava sendo guardada por dez policiais armados. Ele caminha lentamente em direção a eles. Os oficiais ordenaram novamente que soltasse a arma, e se rendesse ou atirariam. O homem começa uma investida em direção aos policiais, correndo como se fosse passar através de todos. Eles abrem fogo, e o individuo é alvejado por diversos tiros, fazendo-o ir recuando a cada impacto, até que encosta na parede no fim do beco. Ele cai sentado no chão, morto. Os tiros cessam. Todos olham, e não acreditam que aquele homem era o responsável por todos aqueles assassinatos. Antes que pudessem se aproximar do corpo, um dos refletores estoura, o que os tira a atenção por segundos, e o som de bater de asas é ouvido. Ao voltarem suas atenções para o corpo, constatam que ele não está mais lá, apenas sangue e os buracos de bala na parede...

03/09/2042, 3:20

  James volta para casa, após terminar seus relatórios na delegacia. Não conseguia parar de pensar nos acontecimentos da noite anterior. Ele escuta o grasnar de um corvo, no lado de fora de sua janela, e um estado desperta sua mente. – O corvo! – pensou. Sacando sua arma, ele abre a janela para verificar. As luzes do seu apartamento se apagam subitamente, e ele escuta uma respiração pesada em meio às sombras. Sim era ele, “Slicer”, como a policia o conhecia. Dolfs já imaginava que não estaria morto, e que talvez quisesse se vingar. Uma voz profunda e sádica, saindo das trevas diz. – Até que enfim consegui meu desafio, já estava me cansando dos mesmos bandidinhos fracos. O detetive procura de onde a voz estava vindo, mas não consegue detectar. Seu medo pelo monstro retorna, está quase perdendo o controle. E a voz aparece outra vez. – Não se apavore tanto, não vim aqui te matar, apenas dizer que aceito o desafio. E você pode atualizar os registros da delegacia, “Slicer” é um nome ridículo, meu nome é Death! O apartamento se torna menos escuro, e do lado de fora da janela, James escuta o bater de asas de um corvo, ele o procura mas não vê mais nada além da lua brilhante no céu. Dolfs agora sabe que o assassino é real, tem um nome, o está desafiando, e diz. – Agora é pessoal!

2 comentários:

  1. Digitei mo comentário daora gigante mas não sei se foi, tem que aprovar comentário?

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    1. Não tem que aprovar, vc deve ter excedido o limite de caracteres, mas obrigado mesmo assim... :D

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